terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eleições autárquicas 2009 - PS e PSD

As eleições que culminaram numa vitória do PSD em termos de número de câmaras municipais revelam um PSD que mantém uma importante base autárquica. Esta é uma das principais conclusões da noite autárquica, que passou despercebida aos jornalistas.

- O PS reforça o poder autárquico de uma forma impressionante. Após o desastre das europeias e uma governação medíocre, o país cobre-se de rosa e vota PS em toda a sua extensão. O PS tem enormes vantagens na dispersão eleitoral do seu voto. Na maioria dos concelhos, é quase sempre a primeira ou segunda força política e apresenta uma rede nacional notável. O PS em Lisboa obteve maioria absoluta contra todas as expectativas, na minha opinião (tendencialmnte o voto em Lisboa é muito fragmentado). Assim, António Costa tem toda a responsabilidade de não se deixar envolver por completo nas negociatas do governo (estilo Mota-Engil e seus contentores), em resistir à administração feudal do Porto de Lisboa, em não ser corrompido pela liberdade e poder que a maioria absoluta lhe dá, e apresentar um projecto de longo-prazo para Lisboa. No Porto, de forma notável, o PS foi absolutamente derrotado por um Rui Rio triunfante. Um Rui Rio que segue efectivamente políticas de direita no Porto, com sucesso eleitoral.

- O PSD ganha sobretudo no Norte do país, perde câmaras importantes no centro e tem um resultado interessante no Algarve. Torna-se contudo, progressivamente, um partido mais rural com menor expressão nos centros urbanos. Este facto deve fazer pensar o PSD, porque as suas preocupações legítimas não são de facto próximas dos cidadãos. A generalidade da população não está, infelizmente, preocupada com o endividamento das próximas gerações, com o endividamento externo, com a redução de impostos sobretudo apostada nas PME's, com a competitividade e produtividade do trabalho, mas sim com a manutenção do rendimento social de inserção, das grandes obras públicas, do Estado social que entra profundamente na nossa vida. Em suma, os portugueses querem mais estado, mais protecção social, mais empregos fictícios.

Infelizmente, o PSD e o PP não são partidos verdadeiramente liberais, como se provou no discurso político das legislativas. São partidos que escondem constantemente as suas propostas mais arrojadas no sentido de introduzir maior competitividade, face à defesa de tudo como está e face às insinuações e ataques da esquerda. Portugal não percebe que, a continuar assim, não vai resolver os problemas estruturais da economia que assolam o país há 10 anos. Problemas estruturais muito sérios que implicam reformas profundas, num país praticamente irreformável.


6 Comentários:

Às 14 de outubro de 2009 às 11:07 , Blogger Ricardo Nunes disse...

Por acaso penso que na génese e ADN do PSD nem se pode dizer que o liberalismo ocupe lugar de destaque.

Desde sempre vi o PSD como partido "Social Democrata" (passo a redundância), aliando algum liberalismo com preocupações sociais e intervenção média do Estado na economia.

Aliás, basta olhar para o programa apresentado por Manuela Ferreira Leite para observarmos isso.

Deixo aqui uma provocação: será que Passos Coelho ainda é a favor da privatização da CGD?

 
Às 14 de outubro de 2009 às 16:27 , Blogger Nuno Carvalho disse...

A propósito de Rui Rio, depois de uma estrondosa vitória, considero lamentável que alguma imprensa o continue a atacar, nomeadamente afirmando que as “elites” – do Porto - não estão com Rui Rio. Só se forem falsas ”elites”.

Conheço muita gente do Porto culta, trabalhadora, discreta, que não vive de subsídios do Estado, que não anda permanentemente a tentar sugar dinheiro ao Estado, que votou em Rui Rio. Não podemos permitir que um grupo minoritário activista domine uma maioria (mais discreta).

 
Às 14 de outubro de 2009 às 23:13 , Blogger Gonçalo Pereira disse...

Ricardo, apesar de o liberalismo não ser a génese do partido, os partidos devem renovar as suas linhas programáticas em função do tempo e das necessidades. Estamos perante uma sociedade dinâmica que enfrenta problemas totalmente distintos daqueles que o PPD enfrentava quando nasceu. Esse mesmo PPD que, aos olhos de hoje, tinha um discurso marcadamente socialista. O Passos Coelho já se mostrou disponível, enquanto putativo candidato, a aprovar o orçamento do PS...

Nuno, sabemos muito bem que a comunicação social em Portugal favorece naturalmente determinados partidos, ideologias, e que muitas vezes não se dá ao trabalho de informar, e por isso prevalecem frases feitas e cliches. Pior ainda, nem sequer os jornalistas mostram vontade de se diferenciar. Algum jornalista teria coragem de questionar a continuidade da liderança do BE após os fracos resultados autárquicos, mesmo que essa hipótese seja distante? Se por um lado, temos uma maioria silenciosa que elegeu Rui Rio, também devmos ter em conta que Sócrates ganhou as eleições legislativas no distrito do Porto tal como na cidade.

 
Às 15 de outubro de 2009 às 09:41 , Blogger Ricardo Nunes disse...

Gonçalo, eu compreendo o que dizes em relação ao facto de os tempos serem outros. Mas ao mesmo tempo não me parece que o PSD pudesse ter uma maioria absoluta a apregoar liberalismo radical.

Sendo pragmático, é óbvio que com um PS tão ao centro só resta ao PSD puxar o discurso um pouco à direita, em termos económicos e de costumes. Agora, não pode é passar para um extremo em que se defende a privatização da CGD.

Abraço

 
Às 20 de outubro de 2009 às 19:20 , Blogger Margarida disse...

Foto, foto, foto...
(please)

 
Às 15 de novembro de 2009 às 20:11 , Blogger Gonçalo Pereira disse...

Not yet ...

Preservo muito a minha identidade. Mais que o habitual :)

 

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