quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MANOEL ALVES SOARES (1879-1941)



Foi há precisamente 130 anos que nasceu Manoel Alves Soares (na imagem acima, ao centro e de chapéu; à esquerda Manuel Pinto de Azevedo), um dos maiores industriais e negociantes de sempre da cidade do Porto. Dotado de uma extraordinária inteligência, visão estratégica, capacidade de trabalho e iniciativa, foi, em simultâneo, um homem bondoso, justo e amigo, mas, também: “… uma pessoa de porte severo, olhar penetrante, dominador.”(J. Ferreira Malaquias; Manoel Alves Soares, 1879-1979, O Homem e as Suas Obras; 1979).

Esteve ligado a inúmeras empresas, de que se destacam: o Jornal “O Primeiro de Janeiro”, a Empresa Fabril do Norte, o Interposto Comercial e Industrial do Norte, a Empresa Citadina de Melhoramentos do Norte, etc..

Começou a trabalhar aos 12 anos de idade.


De seguida transcreve-se um extracto da notícia do seu falecimento (12/12/1941), publicada no Jornal “O Primeiro de Janeiro”, Sábado, 13 de Dezembro de 1941.

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Se a persistência, se o esfôrço de trabalho constante, bem orientado e bem conduzido, se deve considerar, com justa razão, uma qualidade de excepcional mérito pode bem afirmar-se que Alves Soares possuía esse predicado em tôda a a sua plenitude. E tal circunstância, aliada à noção tanto ou quanto exacta da vida, na sua função económica, grangeou-lhe a consideração especial de pessoas que empregam, por igual, a sua actividade proveitosa no comércio e na indústria.

Viera para o Pôrto muito novo. Mas de muito novo, também se deixou dominar pela ideia de criar independência, lutando dia a dia com invulgar tenacidade e durante largos anos, para conquistar uma situação desafogada.


Palacete (que mandou construir) onde viveu, localizado na
Avenida da Boavista,
cidade do Porto. Vista actual da casa.


Uma vontade forte, encorajada pelo desejo ardente de vencer e por uma inteligência clara, dissipavam-lhe em breve os desânimos, que tantíssimas vezes nos assaltam nesta tortuosa estrada, mais ou menos longa, cujo términus é, afinal, a morte.

Não valem esperanças, quando a garra implacável do destino se compraz em aniquilá-las.

Alves Soares pôde, no entretanto, realizar aquela aspiração que, porventura, fora o ponto fixo, o alvo apetecido da sua actividade. E se ao seu esforço ingente a deveu, se essa aspiração teve o êxito que de largos anos apetecera, dela não colheu o proveito que lhe seria legítimo usufruir.

Por temperamento, por hábito inveterado de concentração no trabalho, raras vezes buscava compensações em viagem de recreio ou mesmo em vulgar distracção que todos os dias se oferece. Comprazia-se o seu espírito na destrinça dêsses múltiplos problemas que surgem, a cada passo, na complicação dos negócios.
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Deixou 1.000.000$00 a instituições de beneficência, no seu testamento, o que equivalerá actualmente, com base no preço do jornal diário da época de 0,4$, a 2,5 milhões de euros / 500 mil contos. Paradoxalmente não existe na cidade do Porto qualquer rua / avenida com o seu nome.


3 Comentários:

Às 8 de outubro de 2009 às 19:42 , Blogger Margarida disse...

Ò Nuno..., bless you..., adoro histórias destas; mas porque há tanto desconhecimento...?

 
Às 14 de outubro de 2009 às 16:34 , Blogger Nuno Carvalho disse...

O passado tem destas coisas. Por vezes ao abrir um livro, uma caixa, ao conversar com alguém, descobrem-se coisas interessantes e que nos deixam orgulhosos.

 
Às 7 de março de 2015 às 07:01 , Blogger Sara disse...

Olá nuno. Vivo nessa casa neste momento. Gostava de saber mais sobre o primeiro proprietário. A casas e uma obra de arte. Se tiver mais informações agradecia.

 

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