quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Política em Portugal


Não deixa de ser estranho que o país, com um desemprego de 9,5%, crescimento negativo há 10 anos, pouca esperança de recuperação económica a curto-prazo, uma demografia desfavorável, tenha eleito basicamente quem nos governou nos últimos 15 anos.

Não creio realmente que o nosso sistema político, o nosso modo de vida, as nossas qualificações, a emigração de gente qualificada, entre outros motivos, alterem substancialmente o nosso tecido económico num contexto de competição global e de larga escala.

Parece-me no entanto que a reforma do sistema político será um grande primeiro passo para mudar alguma coisa, transformar o establishment. Tornar os deputados mais responsáveis perante os cidadãos do seu distrito, tornar o regime político mais próximo de um presidencialismo, com efectivos poderes de governação, e tornar mais atractiva a profissão de deputado. Medidas estruturais impõem-se num país que não consegue reformar, muitas vezes porque as leis aprovadas são sabotadas ou ficam "na rua".

Considero igualmente que a reforma tem de passar inevitavelmente pelos partidos, que têm de promover quadros com formação técnica e experiência profissional. Verificamos claramente que, nos últimos 30 anos, a qualidade dos nossos políticos se degradou. As juventudes partidárias não podem, actualmente, ser as maiores fornecedoras de cargos políticos, até porque nelas não se promove uma cultura de exigência ética e profissional.