terça-feira, 7 de julho de 2009

Ética


I. Nos últimos tempos temos sido bombardeados por diversas situações menos claras e lícitas no domínio da gestão empresarial, tanto em Portugal como noutros Países.
Todos nós certamente estaremos recordados dos casos mais longínquos da Enron, Parmalat e Worldcom e, mais recentemente, da falência de diversos bancos, uns verdadeiramente globais, outros com um cunho maioritariamente regional/local.
Na nossa praça, os chamados casos BCP, BPP e BPN vieram, ainda que por diversas razões, lançar um anátema sobre todo o sistema financeiro, nomeadamente no que diz respeito à honorabilidade e credibiliadde da alta direcção das instituições.

II. O primeiro ponto que pode ser analisado é a questão da falha existente no sistema de auto-regulação, porquanto ao longo de diversos anos auditores internos, Conselhos de Supervisão e Regulação, Administradores não-executivos foram incapazes de pôr cobro a fraudes praticadas nas organizações. Urge criar sistemas efectivos de Corporate Governance que permitam haver uma real separação entre as funções executivas e de supervisão, por forma a tornar mais fácil assegurar a transparência e veracidade da informação prestada aos diversos stakeholders (clientes, fornecedores, accionistas, Estado e público em geral).

III. Por outro lado, pode (e deve!) questionar-se por que razão os auditores externos e entidades de supervisão do mercado (SEC nos EUA, Banco de Portugal e CMVM em Portugal, FSA no Reino Unido, etc.) não tiveram um papel mais pró-activo em desafiar a informação que lhes era fornecida pelas diversas instituições. No caso particular dos auditores, parece claro que em alguns casos o interesse de manter milionários contratos de assessoria se sobrepôs ao dever de divulgação ao mercado da real situação financeira das empresas.

IV. Acredito que um sistema de incentivos diferente (com menos recurso a indicadores de curto prazo como base de cálculo de prémios dos administradores, em detrimento de políticas sustentáveis de criação de valor a médio/longo prazo) possa ser um primeiro passo para a mitigação do risco de futuras situações menos claras. Mas acredito ainda mais num outro valor, menos tangível mas muito mais poderoso e eficaz – a ética.

P.S: Esta foi a minha estreia no “Vantagem Comparativa”, esperando que seja a primeira de muitas contribuições da minha parte. Agradeço o convite que me foi feito pelo Gonçalo e pelo Nuno.


1 Comentários:

Às 8 de julho de 2009 às 09:48 , Blogger Margarida Pereira disse...

...quid tu hominis es?

Bem-vindo.

 

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