quinta-feira, 25 de agosto de 2011

PORTAGENS NAS ANTIGAS VIAS RÁPIDAS "SCUTS"


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O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, desejou, esta terça-feira, que o próximo ministro português dos Transportes tenha "dois dedos de testa" para resolver a "trapalhada" do sistema de pagamento de portagens nas antigas SCUT, que considerou "inadmissível no século XXI".

"O que esperamos é que no próximo Governo, seja quem for, o ministro ou ministra que fique com a pasta [dos Transportes] seja uma pessoa com dois dedos de testa e que facilite as coisas", afirmou Xoán Mao à agência Lusa.

Para o secretário-geral da associação fronteiriça que junta 17 cidades do Norte de Portugal e 17 da Galiza, o ministro português das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça, é alguém que deixa "péssimas recordações".

"O que pomos em causa é o sistema de cobrança, que é uma trapalhada. Estive em contacto com o gabinete do primeiro-ministro e tenho a certeza que não estava ao corrente dos pormenores de como foi feita essa trapalhada, pelo que não é uma decisão do Governo, mas apenas de um ministro profundamente infeliz e uma pessoa que deixa péssimas recordações", frisou.

Xoán Mao sublinhou que o Eixo Atlântico tem o "máximo respeito" pela decisão do Governo português de introduzir portagens nas SCUT, até porque em Espanha também há autoestradas grátis e outras pagas, mas considera o sistema de pagamento inadmissível no século XXI.

"Mais parece uma brincadeira infeliz que o que procura é acabar com qualquer hipótese de o Norte avançar", disse.

O responsável estimou em "cerca de 20%" a quebra de negócios no sector terciário na eurorregião devido à introdução do complicado sistema de portagens.

Depois de os empresários dos serviços terem apontado para uma redução de 17,5% nas receitas de restaurantes, hotéis e principais lojas, foi agora a vez de "um alto dirigente da Repsol" manifestar "preocupação" ao Eixo Atlântico pela estimativa de queda de "10% de clientes" nas gasolineiras dos dois lados da fronteira afectadas pelas portagens.

Xoán Mao defendeu que o problema do pagamento das portagens tem uma solução "muito fácil", que passa, numa primeira fase, pela venda de vinhetas temporárias, à semelhança do que existe na Suíça, e, logo que possível, a junção num único aparelho da Via Verde portuguesa e do sistema similar espanhol.

As vinhetas são autocolantes eletrostáticos que se colocam no vidro do carro e que, consoante as cores, servem para circular nas autoestradas durante um dia, semana, mês ou ano, explicou.

Para Xoán Mao, a eurorregião Norte de Portugal-Galiza está a viver "o pior momento" desde que foi criada há 20 anos, devido à crise económica, queda das grandes infraestruturas, ausência de ligações ferroviárias e efeito das portagens.

"Há sete milhões de habitantes nesta esquina da Europa onde o Norte e o Sul não têm comunicação por transporte público, o que é inacreditável no conjunto da União Europeia e, além disso, agora colocam-se problemas de mobilidade que estão a afectar gravemente o desenvolvimento económico do Norte num momento chave", frisou.
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Fonte: Jornal de Notícias on-line 31-5-2011


1 Comentários:

Às 14 de setembro de 2011 às 22:55 , Blogger Margarida disse...

Vergonha.
De facto, vergonha.

 

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