quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Jardins e parques da cidade do Porto - 9






Jardim da Praça da Corujeira


Apesar de se tratar de um jardim de concepção simples e de possuir, lamentavelmente, uma construção horrível, que pode ser vista aqui, este jardim pelas suas dimensões, porte dos seus Plátanos e pela elevada taxa de utilização, é digno de destaque como um dos jardins importantes na cidade do Porto.


PlayList


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lince Ibérico regressa ao matadouro

(c) Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico


Quando visito áreas protegidas (naturais) em Portugal vejo:

- casas particulares (muradas) enormes e (quase todas) horrendas, que nascem como cogumelos;

- muros/vedações a delimitar propriedades privadas, que impedem a circulação de muitos animais;

- caçadores;

- lixo;

etc.


Quando visitei o Parque de Doñana (Espanha), onde existe uma importante população de linces, não vi nada do descrito anteriormente.


domingo, 25 de outubro de 2009

Preservação dos recursos naturais em Portugal


Foram divugadas nesta semana duas notícias sobre a preservação da natureza e dos recursos hidrográficos do nosso País, as quais devem merecer uma reflexão de todos nós.

Por um lado, ficámos a saber que o Douro foi destacado pela National Geographic Society como o 7º destino mundial mais sustentável. O reconhecimento do valor da região vinícula surge depois de um 2001 ter sido classificada como Património Mundial da Humanidade, tendo ficado à frente de destinos de excelência como a Toscânia ou o Centro Histórico de Salzburgo. Trata-se da demonstração de como Portugal tem, de facto, potencial mais do que suficiente na criação de regiões de turismo de qualidade, pouco massificado e de elevado valor acrescentado.

Bastante menos positivo é, certamente, o facto de 200 milhões de metros cúbicos de água do Tejo terem ficado retidos em Espanha no ano hídrico findo em Setembro, o que viola a Convenção que regula as águas das bacias hidrográficas luso-espanholas. Mas ainda mais preocupante do que isso é o conjunto de manobras que se preparam do outro lado da fronteira no sentido de criar novos transvases no médio Tejo e que podem colocar, em última instância, o futuro do rio em perigo. Mas como diz o outro, no passa nada!



Musicalidades IV


Especialmente recomendável a quem gosta de electro, indie rock e noise pop, os Big Pink são uma lufada de ar fresco na cena underground de Londres neste ano de 2009. Com uma sonoridade muito colada a bandas como Glasvegas e Crystal Castles, este dueto já ganhou um prémio NME ("New Musical Express") e foi catapultado definitivamente para a ribalta com o tema "Dominos".


O outro destaque de hoje vai para Emiliana Torrini, a cantora islandesa de ascendência italiana (bem bonita por sinal) que já foi vocalista dos Gus Gus. Apesar de o último álbum de originais - Me and Armini - não ser recente (data de 2008), sabe sempre bem ouvir temas como "Jungle Drum" para acabar o fim-de-semana em beleza.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Involução

O horrível estádio de Aveiro, que custou
"apenas" 64,5 milhões de euros (Foto de Nuno Tavares)


Ulisses Pereira, líder da concelhia social-democrata de Aveiro, defende a destruição do actual estádio de Aveiro e afirmou: "O estádio de Aveiro tem um valor negativo. Mesmo oferecido, ninguém fica com ele".

Fonte: Jornal Público de 16 de Outubro de 2009.

Faltou dizer que:
- Quem mandou construir o estádio deverá devolver o dinheiro aos contribuintes.
- Quem mandou construir o estádio deverá pagar a demolição e a reciclagem dos materiais provenientes da demolição.


Em simultâneo, neste País em degenerescência acelerada, fecham-se escolas (em vez de se encerrarem algumas juntas de freguesia), fecham-se maternidades (em vez de se eliminar os governos civis), encerram-se linhas de comboio, assiste-se passivamente à morte dos últimos Linces Ibéricos, assiste-se alegremente ao desaparecimento de marcas (produtos industriais) portuguesas, abandonam-se os monumentos, etc.. O que interessa é construir muitos centros comerciais, muitos estádios, enfim, um País cada vez mais pateta e claramente indigno do seu passado.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Lince Ibérico

Fotografia de C. Francisco Marquez


Se não fossem os espanhóis (e se não existissem linces em Espanha) o Lince Ibérico já estaria extinto deste planeta. Portugal nada conseguiu para evitar a sua extinção, em território nacional, deste seu antigo habitante. Mais um exemplo vergonhoso de como "funciona" o estado - actualmente.

Um reflexo da forma como o território é actualmente "gerido" e, também, daquilo que são a - maioria - dos parques naturais/zonas de especial interesse natural/zonas de paisagem protegida em Portugal . . .


Doclisboa 2009


(Continua)


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sound and Vision


LIMBO

Dirigido por Bryan Ferry e Michael Roberts, este “Music Video” do álbum Bête Noire, será provavelmente o meu teledisco preferido de sempre. É difícil de escrever sobre este filme, visto ser tão diferente dos outros. Classe, sensualidade, intemporalidade, selva africana, mulheres bonitas, Josefine Baker, Gitanes, pensamento europeu – são palavras que o descrevem.

Este vídeo encerra em si uma série de enigmas, representa o culminar da estética moderna de Ferry, por si, um cul-de-sac. Mas há algo mais: as sombras, os cenários, a linguagem gestual, tudo é extraordinariamente moderno e belo. Um prazer para a vista, um deslumbre para o espírito.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A minha estreia no


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Estado da Justiça em Portugal

Perante acusações e provas concretas de que o sistema informático do Ministério da Justiça é vulnerável a intrusões e dados relativos a processos importantes e correspondência oficial aparecem numa rede pirata Ghostnet, qual é a resposta do Ministério da Justiça:

"absolutamente lamentável a forma irresponsável como os responsáveis do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público pretendem fazer um aproveitamento público e alarmista desta matéria com base em afirmações integradas na estratégia comercial de uma empresa privada desconhecida, contribuindo deste modo para a especulação numa área especialmente sensível."

Não estamos perante um Ministério da Justiça completamente político e sectário que não ouve ninguém e protege apenas os seus interesses em detrimento de reformas e transparência institucional?


Eleições autárquicas 2009 - PS e PSD

As eleições que culminaram numa vitória do PSD em termos de número de câmaras municipais revelam um PSD que mantém uma importante base autárquica. Esta é uma das principais conclusões da noite autárquica, que passou despercebida aos jornalistas.

- O PS reforça o poder autárquico de uma forma impressionante. Após o desastre das europeias e uma governação medíocre, o país cobre-se de rosa e vota PS em toda a sua extensão. O PS tem enormes vantagens na dispersão eleitoral do seu voto. Na maioria dos concelhos, é quase sempre a primeira ou segunda força política e apresenta uma rede nacional notável. O PS em Lisboa obteve maioria absoluta contra todas as expectativas, na minha opinião (tendencialmnte o voto em Lisboa é muito fragmentado). Assim, António Costa tem toda a responsabilidade de não se deixar envolver por completo nas negociatas do governo (estilo Mota-Engil e seus contentores), em resistir à administração feudal do Porto de Lisboa, em não ser corrompido pela liberdade e poder que a maioria absoluta lhe dá, e apresentar um projecto de longo-prazo para Lisboa. No Porto, de forma notável, o PS foi absolutamente derrotado por um Rui Rio triunfante. Um Rui Rio que segue efectivamente políticas de direita no Porto, com sucesso eleitoral.

- O PSD ganha sobretudo no Norte do país, perde câmaras importantes no centro e tem um resultado interessante no Algarve. Torna-se contudo, progressivamente, um partido mais rural com menor expressão nos centros urbanos. Este facto deve fazer pensar o PSD, porque as suas preocupações legítimas não são de facto próximas dos cidadãos. A generalidade da população não está, infelizmente, preocupada com o endividamento das próximas gerações, com o endividamento externo, com a redução de impostos sobretudo apostada nas PME's, com a competitividade e produtividade do trabalho, mas sim com a manutenção do rendimento social de inserção, das grandes obras públicas, do Estado social que entra profundamente na nossa vida. Em suma, os portugueses querem mais estado, mais protecção social, mais empregos fictícios.

Infelizmente, o PSD e o PP não são partidos verdadeiramente liberais, como se provou no discurso político das legislativas. São partidos que escondem constantemente as suas propostas mais arrojadas no sentido de introduzir maior competitividade, face à defesa de tudo como está e face às insinuações e ataques da esquerda. Portugal não percebe que, a continuar assim, não vai resolver os problemas estruturais da economia que assolam o país há 10 anos. Problemas estruturais muito sérios que implicam reformas profundas, num país praticamente irreformável.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Rescaldo das Autárquicas



Breves comentários acerca das eleições autárquicas:

  • É de lamentar o homicídio que ocorreu ontem numa mesa de voto em Vila Real. O sufrágio fica manchado e marcado pela primeira morte em locais de votação desde o 25 de Abril.
  • Vitória do PSD nas eleições, com a conquista de mais câmaras e, por inerência, a liderança da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Porém, há que assinalar o crescimento interessante que o Partido Socialista teve, salientando sobretudo a conquista de câmaras emblemáticas como Beja e Leiria. CDU resiste como 3ª força política autárquica, com resultados bastante satisfatórios em Lisboa e no Porto. Bloco sai como grande derrotado da noite, enquanto que o CDS/PP acaba por ter um resultado de difícil análise, visto ter concorrido em coligação com o PSD em dezenas de concelhos.
  • Vergonha é o mínimo que posso referir quanto aos resultados de Gondomar e Oeiras. Se no caso de Gondomar ainda compreendo que haja algum caciquismo e excessiva dependência das populações face ao poder autárquico, já em Oeiras (concelho com maior PIB per capita do País e com maior número de licenciados e doutorados) a vitória de Isaltino confirma que em largas partes da sociedade existe uma sobreposição de outros valores sobre a ética. Para reflectir...
  • No Porto, Rui Rio "pulverizou a concorrência", com o reforço da % de votos e a manutenção da maioria absoluta. Foi impressionante a festa centenas de cidadãos fizeram nos Aliados (a fazer lembrar as vitórias do FCP), o que é demonstrativo da força de um projecto sério, competente, determinado e capaz. Elisa Ferreira perdeu as eleições no póprio dia em que anunciou a sua candidatura.
  • Por fim, Lisboa. António Costa tem uma grande vitória na Capital e sobretudo mais mérito tem quando a esquerda não se uniu em torno de um candidato (contrariamente à área política do centro-direita). Pesou, quanto a mim, a desconfiança de alguns eleitores face aos casos protagonizados por Pedro Santana Lopes enquanto líder do Governo há alguns anos atrás. Apesar disso, e para quem viu alguns debates entre os candidatos, parece claro que Santana Lopes estava indubitavelmente melhor preparado em diversos dossiers do que António Costa e, acima de tudo, garantia uma maior independência face ao poder central.


domingo, 11 de outubro de 2009

Faltam Grandes políticos


Excelente artigo de João Garcia na última edição do Expresso. Passo a transcrevê-lo na integra, pois vale realmente a pena.


"Numa época em que prealecem os valores materiais, não espanta que haja tendência para valorizar a eficiência em desfavor da moral. Avalia-se a obra, mais do que a ética.

Mudar esta forma de escolher a classe dirigente só se conseguirá se a qualidade dos políticos aumentar e, por essa via, lhes advier o prestígio perdido. Mas não é isso que tem acontecido nas últimas décadas, em Portugal e na Europa, como repetidamente tem salientado Mário Soares. As mais aliciantes remunerações no sector privado e o crescente escrutínio pela comunicação social tornam cada vez mais difícil esquecer interesses individuais e aceitar sacrifícios em funções cívicas, a que recentemente apelou, no 5 de Outubro, Cavaco Silva. Faltam líderes com espírito de missão e sobram grandes e pequenas histórias sobre interesses pouco claros. Daí ao "são todos iguais" vai um passo.

O sucesso de Isaltino Morais em Oeiras (ganhe ou não as elieções, terá sempre uma votação expressiva) mostra que, mesmo nas comunidades com mais instrução, mais acesso à informação e de maiores rendimentos, o cimento pesa mais que a probidade. A verdade é que Isaltino sofreu uma primeira pesada condenação - embora não definitiva - e assumiu práticas inaceitáveis - como admitir malabarismos com o fisco -, mas continua a ter fortes apoios no concelho com mais licenciados e maiores rendimenos por habitante.

Os tempos que correm, em que vinga a informação maisfútil e superficial, em que os protagonistas da sociedade têm de sabercomunicar por soundbytes, não ajudam a mudar mentalidades. Mas os grandes políticos são os que sabem ir contra a corrente."

Fonte: "Expresso", 09-10-09


sábado, 10 de outubro de 2009

Radar Europeu (II)

Após o difícil e moroso processo de assinatura do Tratado de Lisboa pela Polónia, só resta a República Checa. Irónico que os últimos países a ratificar o Tratado de Lisboa sejam aqueles que, tendo em conta a sua evolução histórica nos últimos 20 anos, tenham motivos mais sólidos para se submeterem às decisões da União Europeia. Como observador atento, esperava que os apoios recebidos provenientes da CEE/UE à Polónia e República Checa durante os primeiros anos após a queda do muro de Berlim, o crescimento económico sustentável e elevado destes países após a adesão, a abertura de um mercado único para os empresários checos e polacos, a afluência de Investimento Directo Estrangeiro europeu para esses 2 países, a estabilidade cambial de pertencer à UE, fossem totalmente recompensados por uma lealdade institucional maior. Aqui evoco sobretudo interesses económicos porque os mesmos, cada vez mais, definem as estratégias políticas de longo-prazo. No entanto, A Polónia e a República Checa são actualmente os países que mais colocam em causa as actuais orientações políticas da UE. São os mais eurocépticos.

Não considero correctos os argumentos de que a Polónia e República Checa querem manter independência das posições europeias face aos EUA de Obama, agora que essas divergências não são críticas. Não considero também que esses 2 países se queiram constantemente demarcar das posições europeias face à Rússia visto que o eixo franco-alemão tem mantido uma posição uniforme nesse aspecto. No entanto, as razões evocadas pela República Checa como condição para assinar o Tratado de Lisboa ainda correspondem a resquícios da 2ª guerra mundial (através da obtenção de uma cláusula que evite exigências de retorno das propriedades confiscadas por Praga aos alemães dos Montes Sudetas em 1945). Estranho que os critérios principais não sejam económicos, mas sim de rivalidades e circunstãncias que julgaríamos ultrapassadas mas que continuam a ter impacto na política interna desses países.

Mesmo tendo dúvidas sobre uma questão tão complicada como a ideia de uma política externa europeia unificada, subentendida no Tratado de Lisboa, considero que se a UE apostasse a sério numa política de defesa comum, aí os interesses seriam convergentes. Sobretudo num contexto competitivo de larga-escala e de potências com poder a nível mundial.


Radar Europeu (I)


Boas notícias vindas da Moldávia, que tanto tem sofrido com a sua localização absolutamente periférica e com a dependência inevitável em relação aos interesses da sua vizinha Rússia (não em termos de fronteira, mas de domínio sobre a sua economia e classe dirigente). Espera-se que com a derrota dos comunistas e a eleição de um líder pró-ocidental e europeísta, possamos acreditar que estamos perante mais um território que se começa a libertar do domínio da Rússia capitalista e potência mundial de Medvedev e Putin. Assim sendo, o mapa da União Europeia cada vez mais se define na sua extensão geográfica, com uma série de interesses vitais envolvidos. É absolutamente essencial estender as mãos a países com democracias muito frágeis, como a Ucrânia e a Moldávia, que podem a médio-prazo fazer parte de uma UE alargada e nos podem trazer enormes vantagens. Considero mesmo que mais rapidamente podemos ter condições para dar acesso a países como a Ucrânia e Moldávia à UE, que no caso da Turquia. É essencial para a UE apoiar financeiramente estes países num contexto de crise económica (que os pode levar a situações de bancarrota), de estabelecer protocolos de cooperação militar, de promover o regular funcionamento democrático das instituições nesses países e de fazer lobby activo da UE junto dos cidadãos.

Toda esta envolvência da UE nas suas fronteiras a leste coloca outra questão da maior importância. Até onde vão as fronteiras geográficas e mesmo étnicas da Europa? A sugestão lançada por Obama (ou pelo menos o rumor que partiu da administração presidida pelo mesmo) de que a Rússia poderia ser convidada a aderir à Nato, não colocará em causa a funcionalidade e eficiência da organização? Não faria da Nato uma organização lenta e borucrática como são actualmente as Nações Unidas? Aproveito para lançar esta questão a debate, que considero essencial para o futuro da Europa.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MANOEL ALVES SOARES (1879-1941)



Foi há precisamente 130 anos que nasceu Manoel Alves Soares (na imagem acima, ao centro e de chapéu; à esquerda Manuel Pinto de Azevedo), um dos maiores industriais e negociantes de sempre da cidade do Porto. Dotado de uma extraordinária inteligência, visão estratégica, capacidade de trabalho e iniciativa, foi, em simultâneo, um homem bondoso, justo e amigo, mas, também: “… uma pessoa de porte severo, olhar penetrante, dominador.”(J. Ferreira Malaquias; Manoel Alves Soares, 1879-1979, O Homem e as Suas Obras; 1979).

Esteve ligado a inúmeras empresas, de que se destacam: o Jornal “O Primeiro de Janeiro”, a Empresa Fabril do Norte, o Interposto Comercial e Industrial do Norte, a Empresa Citadina de Melhoramentos do Norte, etc..

Começou a trabalhar aos 12 anos de idade.


De seguida transcreve-se um extracto da notícia do seu falecimento (12/12/1941), publicada no Jornal “O Primeiro de Janeiro”, Sábado, 13 de Dezembro de 1941.

«
Se a persistência, se o esfôrço de trabalho constante, bem orientado e bem conduzido, se deve considerar, com justa razão, uma qualidade de excepcional mérito pode bem afirmar-se que Alves Soares possuía esse predicado em tôda a a sua plenitude. E tal circunstância, aliada à noção tanto ou quanto exacta da vida, na sua função económica, grangeou-lhe a consideração especial de pessoas que empregam, por igual, a sua actividade proveitosa no comércio e na indústria.

Viera para o Pôrto muito novo. Mas de muito novo, também se deixou dominar pela ideia de criar independência, lutando dia a dia com invulgar tenacidade e durante largos anos, para conquistar uma situação desafogada.


Palacete (que mandou construir) onde viveu, localizado na
Avenida da Boavista,
cidade do Porto. Vista actual da casa.


Uma vontade forte, encorajada pelo desejo ardente de vencer e por uma inteligência clara, dissipavam-lhe em breve os desânimos, que tantíssimas vezes nos assaltam nesta tortuosa estrada, mais ou menos longa, cujo términus é, afinal, a morte.

Não valem esperanças, quando a garra implacável do destino se compraz em aniquilá-las.

Alves Soares pôde, no entretanto, realizar aquela aspiração que, porventura, fora o ponto fixo, o alvo apetecido da sua actividade. E se ao seu esforço ingente a deveu, se essa aspiração teve o êxito que de largos anos apetecera, dela não colheu o proveito que lhe seria legítimo usufruir.

Por temperamento, por hábito inveterado de concentração no trabalho, raras vezes buscava compensações em viagem de recreio ou mesmo em vulgar distracção que todos os dias se oferece. Comprazia-se o seu espírito na destrinça dêsses múltiplos problemas que surgem, a cada passo, na complicação dos negócios.
»


Deixou 1.000.000$00 a instituições de beneficência, no seu testamento, o que equivalerá actualmente, com base no preço do jornal diário da época de 0,4$, a 2,5 milhões de euros / 500 mil contos. Paradoxalmente não existe na cidade do Porto qualquer rua / avenida com o seu nome.


terça-feira, 6 de outubro de 2009


Publicidade da TAP de 1957.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

José Sócrates e a falta de ética



José Sócrates fica, a cada dia que passa, cada vez mais chamuscado com o lume que vai ardendo no chamado caso de corrupção de Cova da Beira.

Atente-se nas "relações perigosas" existentes entre António José Morais - uma das pessoas entretanto constituídas arguidas no processo - e José Sócrates:
  • "Morais inscreveu-se em Janeiro de 1991, como militante do PS na Covilhã, na mesma secção de que fez parte José Sócrates;
  • Morais é primo de Edite Estrela, que foi madrinha de casamento de Sócrates;
  • Morais foi professor em 1994/95 no ISEL, no curso de engenharia civil, onde teve como aluno Sócrates;
  • Morais foi professor em 1995/1996 na Universidade Independente de quatro das cinco cadeiras feitas por Sócrates. Morais era igualmente o Director do Departamento de Engenharia Civil da Universidade;
  • Morais foi Director do Gabinete de Estudos e de Planeamento de Instalações do Ministério da Administração Interna entre 1997 e 2002, período durante o qual chegou a atribuir ao pai de Sócrates trabalhos de fiscalização de dez empreitadas".

Fonte: Jornal "Expresso", 03/10/09


Não querendo fazer juízos e acusações sem provas concretas, uma coisa é certa: parece claro aos olhos de todos que ao longo da sua vida, José Sócrates foi arranjando meios muitas vezes muito pouco éticos para atingir os seus fins (sem colocar em causa a sua legalidade - pelo menos por ora).

Deixo a pergunta no ar: é este o exemplo de Primeiro-Ministro que pretendemos para o nosso País?


sábado, 3 de outubro de 2009

Musicalidades III - o regresso dos Alice in Chains


Após 14 longos anos de interregno, os míticos Alice in Chains - um dos grupos precursores do movimento grunge, a par de Mudhoney, Stone Temple Pilots, Soundgarden, Nirvana, Candlebox e Temple of the Dog - estão de regresso aos álbuns de originais.


Depois dos CD´s Facelift, Dirt e Alice in Chains e dos EP´s We Die Young, Sap e Jar of Lies, passando por um magnífico MTV unplugged, esta banda oriunda de Seattle lança Black Gives Way to Blue. Apesar da ausência na parte vocal de Layne Staley, o novo vocalista William DuVall parece ter dado um novo sangue à banda.


A ouvir com atenção.


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Eleições e algo mais



Ainda que com alguns dias de atraso, segue a minha análise aos resultados das eleições legislativas.

O PS consegue aguentar-se bem em termos eleitorais, perdendo a maioria absoluta mas ficando numa posição relativamente confortável, podendo ir escolhendo pontualmente parceiros para aprovação de diplomas (Bloco e Partido Comunista nos costumes e vertente social e CDS/PP na parte económica).

O PSD sai numa posição bastante fragilizada, ficando claramente aquém do que seria expectável. Depois de 4 anos de desgaste do Governo liderado por José Sócrates, uma série interminável de "dossiers mal explicados" e da crise instalada no nosso País, o PSD fez mesmo o mais difícil! Acredito que tenha havido transferência de 4-5% de votos para o CDS/PP e uma quantidade razoável de eleitores que tenham preferido colocar a cruz na "rosa", em detrimento da "laranja". Acredito que depois das eleições autárquicas Manuela Ferreira Leite saia pelo próprio pé.

O CDS/PP é, para mim, o grande vencedor das eleições. Não só passa de partido do taxi a partido do mini-bus, como se encontra na melhor situação possível: tem o poder de negociar acordos com o Executivo sem, contudo, poder ser responsabilizado pelo Governo do País.

Quanto ao Bloco de Esquerda, e apesar do forte crescimento do número de deputados e votos, ficou claramente com um grande amargo de boca de ter tido uma vitória "pífia", pois não só ficam atrás do CDS/PP como não consegue a % desejada de votos por forma a coligar-se ao PS para criar um cenário de maioria absoluta. Acredito que o Bloco tenha atingido nestas eleições o pico da representatividade, caindo a sua expressão de agora em diante.

O PCP caiu para 5ª maior força política, tendo porém a satisfação de ter estabilizado (e até reforçado) o seu eleitorado. Gostaria de chamar a atenção para um facto poucas vezes comentado: estou convicto de que foi a contestação fortíssima dos professores na anterior legislatura que impediu uma nova maioria absoluta para o PS. Foi esse o ponto de viragem da Governação de Sócrates e se há partido que tem mérito na forma como os professores se organizaram através da CGTP, esse partido é o PCP.

Mais alguns comentários:
  • Os pequenos partidos foram incapazes de eleger qualquer deputado. Tinha alguma expectativa quanto ao MEP mas parece que o povo Português ainda não está disposto a sair do status quo dos 5 grandes partidos;
  • O PS gastou mundos e fundos na sua campanha, por oposição a PSD e CDS/PP, por exemplo. Numa altura em que o País atravessa uma crise gravíssima, é um péssimo exemplo de como esbanjar dinheiro. Além disso, fico sempre com receio de eventuais contrapartidas que esse financiamento acarretará no futuro, nomeadamente no que ao lobby das construtoras diz respeito. Estaremos cá para ver...
  • Tenho expectativa quanto ao novo elenco Governativo que está a ser preparado. Se parece claro que Maria Lurdes Rodrigues vai ser "gentilmente convidada a sair" e Mário "Jamais" Lino deixará de ser opção, já quanto às pastas da Economia, Justiça e Administração Interna é imperativo que hajam novas caras e, sobretudo, mais competência. Por último, espero que Teixeira dos Santos - o melhor Ministro a meu ver - continue à frente da pasta das Finanças;
  • Quanto ao episódio com o Presidente da República vou ser muito breve: houve erros de parte a parte e espero que se ponha fim rapidamente a este ambiente de instabilidade institucional que está criado. O País e todos nós agradecemos.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lisboa


As cidades moldam-se por pessoas com visão. Seja nos pequenos pormenores, seja nos grandes projectos. Lisboa tem o dom de ter um passado histórico, uma localização absolutamente privilegiada, um rio fabuloso, cantinhos de uma cidade que mistura modernidade com bairrismo. Tudo para ser uma grande cidade europeia. No entanto, foram cometidos erros históricos e muitas oportunidades perdidas continuam a atrasar o caminho de Lisboa como um hot spot mundial.

- Os armazéns do Chiado nasceram após uma tragédia. Uma tragédia que deu a Lisboa uma oportunidade única. A de poder construir um espaço comercial no Chiado com o selo de qualidade Harrods, por exemplo. Mas não, actualmente temos um shopping absolutamente banal, que apenas tem a FNAC como referência. Antes uma Barnes & Noble e um Starbucks. O Chiado merecia um Harrods. Claramente.

- A frente ribeirinha da cidade tem o fardo de ter o Porto de Lisboa a ocupar grande parte do espaço. Um espaço que poderia ser o espelho de Lisboa, com museus, restaurantes, esplanadas, espaços abertos, festivais, tudo o que uma cidade tem que lhe é oferecida quase de graça. Mas não, em vez disso temos contentores, barcos e gruas.

- Um pequeno projecto, rentável provavelmente, mas que denota grande visão: os quiosques tradicionais de Catarina Portas. A prova de como com pouco investimento, mas muita mestria, se fazem milagres na cidade.

- Uma oportunidade perdida: o projecto de Frank Gehry para revitalizar o Parque Mayher. Tal como Bilbao é conhecida pelo Guggenheim, Lisboa precisa de um projecto de dimensão mundial para lhe dar uma visibilidade especial, para além da que a história lhe dá.


Política em Portugal


Não deixa de ser estranho que o país, com um desemprego de 9,5%, crescimento negativo há 10 anos, pouca esperança de recuperação económica a curto-prazo, uma demografia desfavorável, tenha eleito basicamente quem nos governou nos últimos 15 anos.

Não creio realmente que o nosso sistema político, o nosso modo de vida, as nossas qualificações, a emigração de gente qualificada, entre outros motivos, alterem substancialmente o nosso tecido económico num contexto de competição global e de larga escala.

Parece-me no entanto que a reforma do sistema político será um grande primeiro passo para mudar alguma coisa, transformar o establishment. Tornar os deputados mais responsáveis perante os cidadãos do seu distrito, tornar o regime político mais próximo de um presidencialismo, com efectivos poderes de governação, e tornar mais atractiva a profissão de deputado. Medidas estruturais impõem-se num país que não consegue reformar, muitas vezes porque as leis aprovadas são sabotadas ou ficam "na rua".

Considero igualmente que a reforma tem de passar inevitavelmente pelos partidos, que têm de promover quadros com formação técnica e experiência profissional. Verificamos claramente que, nos últimos 30 anos, a qualidade dos nossos políticos se degradou. As juventudes partidárias não podem, actualmente, ser as maiores fornecedoras de cargos políticos, até porque nelas não se promove uma cultura de exigência ética e profissional.


Jardins e parques da cidade do Porto no Vantagem Comparativa


Uma das maiores riquezas da cidade do Porto são, sem sombra de dúvida, os seus magníficos parques e jardins.

Aqui fica o índice dos jardins já ilustrados neste blog:

1 - Jardim das Virtudes

2 - Parque da Cidade

3 - Parque da Fundação de Serralves (entrada paga)

4 - Parque de S. Roque

5 - Jardim Botânico do Porto

6 - Jardim de Arca d'Água

7 - Quinta de Bonjóia

8 - Jardim do Passeio Alegre